Cansaço.

Tentei manter o ritmo da semana.

Sai do trabalho pontualmente as 17h. Tentando manter a calma mas, sem perder tempo cheguei no terminal e esperei o ônibus por uma hora e dez minutos!
Durante a maratona para chegar em casa algo não estava certo.
Essa semana não está certa!
Senti algo no ar. O vento, o cheiro, o perfume alheio, uma agonia sem tamanho dentro de mim.
As vezes eu mergulho tão profundo em meus pensamentos que sinto que vou enlouquecer.
Sem querer, eu juro. Quando percebo estou secando todos os corpos que me rodeiam. Corpos aleatórios! Mas, corpos! 
Se o problema fosse só minha imaginação… O problema é mais embaixo mesmo, bem mais pra baixo.
Eu fico molhada em segundos, sem fazer esforço.
No ônibus, na minha mesa, conversando com a mãe, com a sogra com o cobrador.
Pensando no relatório, numa viagem, numa lembrança ou pensando em algum tipo de dor nada sexual.
Com o ar condicionado, sem ele, com musica, sem ela. Com lembranças mas, principalmente por que antes de chegar em minha mente, parece que chegou no meio das minhas pernas primeiro.
O ônibus finalmente chegou. Sentei e abri um livro. Eu realmente estava gostando daquele livro mas não conseguia manter minha atenção nele, tudo o que queria era chegar em casa, que meu tormento mental poderia ser fome ou qualquer coisa mais simples ou menos estressante do que aquela abstinência sexual.
Desci do ônibus e apertei o paço quase que correndo. Cheguei e com o coração na boca liguei para minha namorada para ter certeza de que ela estava bem, afinal meu coração estava muito apertado e eu não sabia explicar o por quê.
Tirando a TPM dela estava tudo tranquilo. 
Me dei conta que tudo estava bem, todos estavam bem e que talvez eu só estivesse ansiosa, estressada, cansada da rotina…
Pensei em jantar e me mandar pra casa dela, pensei até em fazer um doce rápido pra levar, pensei em ir caminhar na praça pra reforçar minha energia, pensei em ver um filme pra renovar as ideias mas, acabei deitando.
 
Aplicativos são incríveis!Pois, além de ser uma ferramenta coerente com um celular atual ainda te livra de cair em pegadinhas e sites desnecessários.
Sou viciada em pornografia!
Não sei nomes de atrizes, muito menos atores mas, como eu sou sempre muito tensa e ansiosa é uma forma rápida de entrar no clima. 
Não coleciono DVS’s, nem videos favoritos, os uso de forma mais descartável possível afinal eles são uma forma bem genérica de ter prazer, na minha opinião.
Para piorar pornô é voltado para o publico Masculino em sua maioria, sendo assim, assisto vários para o mesmo orgasmo, corto pedaços, mudo, daí deito, relaxo e monto na minha cabeça as melhores características de cada um deles em um só!
 
E então eu largo qualquer ideia, apago a Luz me finjo de morta para os demais habitantes da casa e me toco por horas e horas e horas e quando eu percebo, é tarde o suficiente para eu me arrepender de não ter dormido cedo no dia seguinte quando eu acordar toda quebrada.
Numa tentativa frustrante de parar, de ter controle sobre meu corpo e mente eu me frustro e não entendo o por quê continuo lubrificando eternamente!
“Ok! A ultima vez e eu vou dormir!” e quando prometo isso pela segunda ou terceira vez já começo a ficar irritada.
Mas, parece que algo está inacabado.
Eu gozei, gostoso, não uma nem duas vezes mas, nessa altura do campeonato não consigo mais gozar. Estou cansada e com sono.
 
É um misto de sensações que não sei se consigo descrever com perfeição. 
 
Uma parte de mim quer transar com tudo e todos e dar e comer e chupar e gemer… Dominar, ser dominada!
Se sentir viva!
A outra parte só quer dormir, descansar e não ser mais refém desse tesão constante.
 
Dai vem a sensação de fracasso!
 
Minha cabeça roda em torno de alguma razão para eu não me sentir um lixo ou culpada.
Orgasmos, sexualidade, sexo são prazeres, são coisas boas e comuns entre a maioria das pessoas e por que eu tenho que me punir tanto?
Daí eu me lembro que é pelo simples fato de eu não conseguir parar de sentir prazer aliás não conseguir parar de querer sentir prazer.
Essa busca constante de prazer é muito cansativa.
 
Me deixa exausta!
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Infância.

Eu sentia algo no meio das minhas pernas que só as mulheres nas fitas antigas do meu tio sentiam.

Eu sentia a sensualidade embora não entendesse e não entendia o por que a sentia se eu não me via sensual.
Mas, escorria como um sorvete no verão.
 
Sempre me senti diferente em tudo
Eu andava com meninas mais velhas. Elas ja usavam sutiãs e o único motivo pra eu usar um daqueles seria excesso de peso.
Pensei que com o tempo eu precisasse deles mas até hoje não sei por que uso.
Queria tacar fogo neles.
 
Eu tinha orgasmos com tanta facilidade que nem lembro quando foi a primeira vez que aconteceu. E essa foi a razão por eu pensar que nunca havia acontecido.
As superestimadas histórias e delírios por ele… 
Minhas amigas contando as horas e os dias para verem seus namorados pra ter um orgasmo e ainda engolir porra de graça…
Eu tinha tudo nas pontas dos dedos.
 
Demorou para eu descobri los…
 
Não tem uma idade certa. Talvez 5 anos eventualmente e a história se desenrolou com seis ou sete.
 
Meu pai trabalhava o dia inteiro e minha mãe era “Dona de casa” daquelas loucas por limpeza, o que ocupava todo o tempo dela.
Ela foi uma ótima mãe mas, eu era muito reservada e preferia passar horas dentro do meu quarto.
Eu tinha muitos mas, muitos brinquedos. Meu guarda – roupas era todinho cheio de bonecas e outras coisas, fora as prateleiras e bagunças.
Todos os dias minha mãe limpava meu quarto impecavelmente com tudo no lugar. Todos os dias eu virava boneca por boneca e cada brinquedo que tivesse olhos, para a parede. Eu ainda era uma criança e acreditava em magia.
Eu deitava com o cobertor no calor que fosse e passava a mão na estampa da calcinha, no brilho, no lacinho e algo estranho acontecia la dentro.
Comecei a estragar todas as minhas calcinhas, minha sorte é que minha mãe culpou a qualidade do tecido por estragar tão rápido.
Mas, não há calcinha que aguente a tantos puxões.
Chegou uma hora que os puxões não davam mais conta. Além de machucar bastante.
Então minhas mãos começaram a mergulhar e fazer minha cabeça e meu corpo mergulharem também, num universo só meu.
No começo eu tinha medo de ser pega não sei por que afinal minha família nunca foi influenciada por religião ou doutrina nenhuma.Sempre fui tímida, falava tão baixo que minha mãe tinha que pedir pra eu repetir umas três vezes para entender o que eu queria.
 
Eu tinha poucos prazeres na vida:
O primeiro prazer da minha infância solitária em casa era desenhar, mas, sem pintar por que achava que estragava o desenho.
O segundo prazer era ouvir uma fita da história do Rei Leão que tinha duas musicas no final e que eu fiz questão de decorar pra cantar bem alto, subindo e descendo da cama sonhando em ser “Pop Star”.
O terceiro prazer e não menos importante era me masturbar.
Acontece que eu percebi como eu era péssima com desenho e com música…
 
Só restou um talento.

Começando algo.

1,65 de altura, vegetariana, cabelo em eterna mudança mas, podemos chamar de castanho por natureza, tatuada, gay, impulsiva, comprometida, compulsiva.

Tentando entender algumas coisas, decidi escrever.
Não tem sido nem melhor, nem pior, nem mais importante nem justificadamente desprezível, apenas mais meu, pois acredito que cada individuo é único de alguma forma.
Ainda é difícil ser você mesmo.

One more time.

Ela se levanta da mesa mais uma vez, vai até o banheiro, diz “Oi” para a moça do RH e espera que ela saia de lá antes de fechar a cabine.
Escuta a torneira, fica esperançosa e finalmente naquela eternidade de segundos escuta a porta bater.
Sem analisar mais nada ela abre a calça.
Quando percebe que pode estar ofegante demais ela para, respira fundo silenciosamente e continua.
O psicológico é perigoso, pensamentos a todo momento. A história não é nova o prazer é mecânico. Por mais intenso que seja é mecânico e desnecessário.
Abrir a porta, lavar as mãos e sair.
Mas, ela retorna a cabine antes de bater a porta.
Repete o processo por mais duas vezes e num instante lembra que há um relatório para ser feito, então rispidamente decide abotoar a calça.
Uma angustia toma conta.
São inúmeros questionamentos e punições mentais.
O que era pra ser alivio as vezes vira tormento.
Tormentos repetidos todos os dias.
A busca compulsiva por prazer.
A obsessão em sentir se satisfeita.
O fracasso óbvio.
O dia morreu antes de começar.